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Resoluções de ano novo do Diego ao longo dos anos:

Plano de mudança de vida para 2024

Começar do zero e ficar fluente em inglês, espanhol e francês

Escrever um livro com a história da minha vida e impactar milhões de pessoas com a minha sabedoria

Fazer um mochilão pela Europa regado a comida, luxo e homens bonitos

Malhar todos os dias e ficar ainda mais gostoso (não só no verão, mas em todas as estações do ano)

Aprender a fazer investimentos e comprar um carro só com os rendimentos


Metas VIÁVEIS para arrasar em 2025 depois do fracasso em 2024

Me matricular num cursinho de inglês e parar de me enganar de que sou uma pessoa que aprende um novo idioma vendo Friends

Ler um livro por mês até eu aprender a escrever

Comprar uma mochila

Tirar fotos com cinco looks diferentes no espelho da academia para ter o que postar nos stories nos dias em que eu não for

Ganhar na loteria ou conhecer um cara rico e velho, o que acontecer primeiro


Como sobreviver em 2026

Começar do zero e ficar fluente em inglês, espanhol e francês
Me matricular num cursinho de inglês e parar de me enganar de que sou uma pessoa que aprende um novo idioma vendo Friends
Pegar pelo menos um gringo

Escrever um livro com a história da minha vida e impactar milhões de pessoas com a minha sabedoria
Ler um livro por mês até eu aprender a escrever
Descobrir se sou mesmo alfabetizado ou se meus pais compraram meu diploma do ensino fundamental

Fazer um mochilão pela Europa regado a comida, luxo e homens bonitos
Comprar uma mochila
Conhecer Uberlândia-MG

Malhar todos os dias e ficar ainda mais gostoso (não só no verão, mas em todas as estações do ano)
Tirar fotos com cinco looks diferentes no espelho da academia para ter o que postar nos stories nos dias em que eu não for
Fingir que estou na vibe “corpos reais” enquanto espero a ciência avançar e desenvolver as pílulas de shape instantâneo

Aprender a fazer investimentos e comprar um carro só com os rendimentos
Ganhar na loteria ou conhecer um cara rico e velho, o que acontecer primeiro
Tentar não quebrar o porquinho das crianças em março

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Miguel toma banho e brinca na banheira enquanto Diego toma conta. 

— Agora lava o cabelo. 
— Hoje não dá mais, tio, amanhã a gente tenta de novo. 
— Como que não dá, Miguel? O shampoo tá aí do seu lado. 
— Aqui diz “Para cabelos secos”, mas agora eu já molhei. 
— Não é assim que funciona. 
— Diga isso para a ciência. 

 *** 

Gabriel quer saber o que vai ganhar de presente de Natal. 

— É um lobisomem? 
— Não. 
— Uma guilhotina? 
— Misericórdia, Gabriel. Não. 
— Um cemitério de brinquedo? 
— Você sabia que o Natal não é sobre ganhar presentes? 
— Mas é o aniversário de Jesus! 
— Então ele é quem tem que ganhar presente, não a gente. 

 O menino fica pensativo por dez segundos: 

 — Tio, mas não é verdade que Jesus está dentro de nós?


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Fonte: Freepik

Não é de hoje que atitudes racistas pipocam aqui e ali pela comunidade literária. Autores que nunca escrevem personagens negros em seus livros, leitores que não leem livros escritos por pessoas pretas, editoras que selecionam majoritariamente influenciadores brancos em suas parcerias e publis, e por aí vai. A lista é imensa, e o tamanho dela deveria por si só ser revoltante. 

Mas nós, pessoas brancas em geral, mesmo nós que gostamos de nos enxergar como aliados antirracistas, aparentemente convivemos muito bem com o racismo. As situações acontecem e ficamos em silêncio, continuamos a viver normalmente como se nada tivesse acontecido, como se fosse normal uma marca convidar apenas influenciadores brancos para um evento ou uma editora anunciar os lançamentos do ano com nenhum livro publicado por pessoa negra na lista.

Não ser racista é diferente de ser antirracista. Não ser racista é o mínimo que uma pessoa decente deve ser, mas não é o suficiente para que o racismo presente em todos os espaços enfraqueça. Assim como todas as áreas da sociedade, a comunidade literária também cresceu em cima do racismo e, por isso, situações em que pessoas negras são excluídas são vistas como comuns. Gosto de acreditar que vamos reagir em casos de racismo explícito e violento (será?), mas ser antirracista é combater o racismo todos os dias, em todas as suas formas.

Antirracismo é ação.

E por conta disso listei abaixo ações antirracistas que todos nós podemos ter para fazer da comunidade literária um lugar melhor, mais diverso e mais criativo. Separei em categorias que dependem do seu papel no mercado, mas certo de que qualquer pessoa pode contribuir com as ações.

(A lista obviamente sempre pode aumentar. Se você tiver ideias de ações que podem entrar na lista, me avise!)


PARA TODOS

1. Ler mais livros escritos por pessoas negras

2. Indicar livros escritos por pessoas negras para amigos e conhecidos

3. Divulgar livros escritos por pessoas negras nas redes sociais

4. Cobrar escritores brancos que só escrevem livros com pessoas brancas

5. Seguir/engajar escritores negros nas redes sociais

6. Apoiar financeiramente escritores negros a publicarem seus livros

7. Apoiar financeiramente influenciadores negros a criarem conteúdo

8. Cobrar influenciadores brancos que só leem/divulgam livros escritos por pessoas brancas

9. Seguir/engajar influenciadores negros nas redes sociais

10. Cobrar editoras que só fazem publi com influenciadores brancos

11. Cobrar editoras que anunciam lançamentos onde a maioria esmagadora dos livros são escritos por pessoas brancas

12. Cobrar editotas que selecionam para parceria majoritariamente influenciadores brancos

13. Cobrar agências literárias cujo elenco de autores é majoritariamente branco

.14 Cobrar marcas em geral que só fazem publi com influenciadores brancos

15. Cobrar eventos literários que só chamam escritores/influenciadores brancos


PARA ESCRITORES

16. Escrever livros com personagens negros

17. Contratar mais profissionais do livro negros para trabalharem no seu livro

18. Contratar mais influenciadores negros para divulgar seu livro

19. Indicar escritores negros para seus editores

20. Indicar escritores negros para sua agência literária

21. Ao ser convidado para participar de uma coletânea/antologia/projeto, questionar o fato de só escritores brancos estarem envolvidos

22. Ao ser convidado para um evento literário, questionar o fato de só existirem convidados brancos


PARA INFLUENCIADORES

23. Engajar seus seguidores para lerem mais livros escritos por pessoas negras

24. Indicar autores negros independentes para agências literárias e editoras

25. Ao ser convidado para participar de uma publi/projeto de editora ou marcas, questionar o fato de só pessoas brancas estarem envolvidas

26. Ao ser convidado para um evento literário, questionar o fato de só existirem convidados brancos

27. Fazer collabs com escritores/influenciadores negros


PARA EDITORAS

28. Publicar mais livros escritos por pessoas negras

29. Promover ações para alcançar mais leitores negros

30. Promover ações para dar visibilidade a autores negros

31. Contratar mais influenciadores negros para publis/projetos

32. Convidar/enviar mais escritores negros para eventos literários

33. Priorizar escritores, influenciadores e agências literárias com postura antirracista

34. Cobrar a curadoria de eventos literários no qual a editora terá estande de convidar autores/influenciadores negros

35. Questionar quando o livro de um autor da casa só tem pessoas brancas (quando isso não faz sentido no contexto)

36. Contratar mais pessoas negras para trabalhar em seus departamentos

37. Selecionar mais influenciadores negros como parceiros


PARA AGÊNCIAS LITERÁRIAS

38. Agenciar mais autores negros

39. Questionar quando o livro dos agenciados só tem pessoas brancas (quando isso não faz sentido no contexto)

40. Contratar mais pessoas negras para trabalhar em seus departamentos


PARA MARCAS EM GERAL

41. Contratar mais influenciadores negros para publis/projetos

42. Contratar mais pessoas negras para trabalhar em seus departamentos


Por enquanto, é isso. Entendo que algumas pessoas terão mais dificuldade do que outras para se desdobrar em tantas ações, mas, um conselho, comece devagar. Escolha pelo menos uma ou duas ações para começar e vá acrescentando novas conforme o passar do tempo. Antirracismo também é prática.

Vamos lá?


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