Leia mais Read more

Diego aciona o Ministério Público para proibir Chapell Roan de voltar ao Brasil e sai de lá com uma carteira de trabalho. Os Dioguinhos brincam de acampamento na sala, mas as coisas saem um pouco de controle quando Miguel acende a fogueira para assar marshmallows. Ester decide se rebelar e provar que não é uma menina boazinha, então bagunça a casa inteira trocando os móveis de lugar, acidentalmente melhorando todo o Feng Shui do apartamento. Diego explica que as crianças são um presente de Deus na vida dele, e que ele também é um presente de Deus na vida das crianças. Os três se perguntam se ainda dá tempo de devolver o tio e trocar por um cachorro caramelo. Antes de dormir, Gabriel diz sorrindo para Diego: “Tio, lembra daquela vez que tinha um espírito obsessor na cabeceira da sua cama, que tinha cinco olhos e duas bocas? Ah, é, você tava dormindo. A boca da esquerda contava piadas muito engraçadas”. Diego não prega os olhos por cinco noites seguidas.


Os Dioguinhos é minha nova newsletter! Terça sim, terça não, envio para a sua caixa de entrada um microconto inédito no universo de Gay de família com cenas constrangedoras, laçração de criança e muita fofura. Quer passar a receber? Assine Os Dioguinhos.


Ler Comentários

Diego e Miguel estão deitados no sofá, quando o menino começa a divagar do nada:

— Deus faz tudo perfeito, né, tio? O céu azulzinho, os passarinhos cantando, o ventinho gostoso que entra pela janela…
— Sim…
— A sombra das árvores, mas também o calorzinho bom do sol…
— Hum.
— O pão quentinho que a gente compra na padaria.
— Isso aí meio que é o padeir—
— O barulhinho de quando a gente coloca na Netflix pra ver Naruto…
— Oi?
— A sensação maravilhosa da bala Fini grudando no céu na boca...
— Não acho q—
— Aquela borboleta tão bonitinha desenhada com giz de cera na parede atrás do sofá…
Que??? Miguel, você rabiscou a parede?
— O seu coração tão grande e cheio de amor pelos seus sobrinhos, principalmente o do meio, que por acaso sou eu…


Os Dioguinhos é minha nova newsletter! Terça sim, terça não, envio para a sua caixa de entrada um microconto inédito no universo de Gay de família com cenas constrangedoras, laçração de criança e muita fofura. Quer passar a receber? Assine Os Dioguinhos.


Ler Comentários

Gabriel encontra Ester mergulhada em rabiscos, cadernos e lápis de cor.

— O que você tá fazendo, irmã?
— Desenhando um plano. Pra quando meu tio entrar na terceira idade e a gente cuidar dele.
— Em qual idade ele já tá?
— 2.99, eu acho. Você sabe que ele tá sempre reclamando da dor nas costas.
— E do joelho que range.
— E quando ele levanta rápido e fica tonto.
— Tem também a pressão dele que vai láaaaa no alto quando o Miguel rabisca a parede.
— E, quando o Miguel colocou a Suzie na máquina de lavar, a pressão dele caiu.
— Lembra quando ele esqueceu o celular no shopping, as chaves de casa na loja de celular e você no chaveiro?
— Todo mês ele acha que é aniversário de um de nós três, ano passado tivemos sete comemorações.
— Eu acho que ele não enxerga mais de longe.
— De perto também não.
— E tudo a gente tem que falar gritando ou repetir três vezes.
— E o nariz dele para de funcionar quanto o tempo vira.
— Ele explode se comer camarão, leite, maracujá ou abacaxi.
— Ultimamente ele só tá podendo beber água, eu acho.
— Mas nem isso ele bebe, porque…
— Verdade, as pedrinhas nos rins.

As crianças ficam pensativas, refletindo sobre o fato científico de que um homem de 28 anos tem, na verdade, 82 em idade de gay.

— Ester, acho que, se continuar assim, não vamos precisar do seu plano.
— Quer me ajudar a escolher um caixão então?


Os Dioguinhos é minha nova newsletter! Terça sim, terça não, envio para a sua caixa de entrada um microconto inédito no universo de Gay de família com cenas constrangedoras, laçração de criança e muita fofura. Quer passar a receber? Assine Os Dioguinhos.


Ler Comentários