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— Olha, tio, achei uma espada mágica! — diz Miguel, segurando um cabo de espada imaginário.
— Não tô vendo nada aí — responde Diego, sem prestar muita atenção enquanto mexe no celular.
— É porque ela é invisível.
— Hum. E como você achou então, se não dá pra ver?
— Eu tropecei nela, ali na cozinha.
— …
— Qual é a sua arma mágica?
— Eu preciso de uma?
— Não vamos acabar com os monstros se ficar tudo nas minhas costas!
— Tá bom, Miguel. Eu tenho um… uma… lança mágica, pronto.
— Cadê?
— Aqui, do meu lado. É invisível também.
— Bonita! E resistente! Vai servir. Como você achou?
— Foi fácil, os inteligentes e corajosos conseguem ver.
— Incrível! E como você achou?


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Diego aciona o Ministério Público para proibir Chapell Roan de voltar ao Brasil e sai de lá com uma carteira de trabalho. Os Dioguinhos brincam de acampamento na sala, mas as coisas saem um pouco de controle quando Miguel acende a fogueira para assar marshmallows. Ester decide se rebelar e provar que não é uma menina boazinha, então bagunça a casa inteira trocando os móveis de lugar, acidentalmente melhorando todo o Feng Shui do apartamento. Diego explica que as crianças são um presente de Deus na vida dele, e que ele também é um presente de Deus na vida das crianças. Os três se perguntam se ainda dá tempo de devolver o tio e trocar por um cachorro caramelo. Antes de dormir, Gabriel diz sorrindo para Diego: “Tio, lembra daquela vez que tinha um espírito obsessor na cabeceira da sua cama, que tinha cinco olhos e duas bocas? Ah, é, você tava dormindo. A boca da esquerda contava piadas muito engraçadas”. Diego não prega os olhos por cinco noites seguidas.


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Diego e Miguel estão deitados no sofá, quando o menino começa a divagar do nada:

— Deus faz tudo perfeito, né, tio? O céu azulzinho, os passarinhos cantando, o ventinho gostoso que entra pela janela…
— Sim…
— A sombra das árvores, mas também o calorzinho bom do sol…
— Hum.
— O pão quentinho que a gente compra na padaria.
— Isso aí meio que é o padeir—
— O barulhinho de quando a gente coloca na Netflix pra ver Naruto…
— Oi?
— A sensação maravilhosa da bala Fini grudando no céu na boca...
— Não acho q—
— Aquela borboleta tão bonitinha desenhada com giz de cera na parede atrás do sofá…
Que??? Miguel, você rabiscou a parede?
— O seu coração tão grande e cheio de amor pelos seus sobrinhos, principalmente o do meio, que por acaso sou eu…


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