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Diego e Miguel estão deitados no sofá, quando o menino começa a divagar do nada:

— Deus faz tudo perfeito, né, tio? O céu azulzinho, os passarinhos cantando, o ventinho gostoso que entra pela janela…
— Sim…
— A sombra das árvores, mas também o calorzinho bom do sol…
— Hum.
— O pão quentinho que a gente compra na padaria.
— Isso aí meio que é o padeir—
— O barulhinho de quando a gente coloca na Netflix pra ver Naruto…
— Oi?
— A sensação maravilhosa da bala Fini grudando no céu na boca...
— Não acho q—
— Aquela borboleta tão bonitinha desenhada com giz de cera na parede atrás do sofá…
Que??? Miguel, você rabiscou a parede?
— O seu coração tão grande e cheio de amor pelos seus sobrinhos, principalmente o do meio, que por acaso sou eu…


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Gabriel encontra Ester mergulhada em rabiscos, cadernos e lápis de cor.

— O que você tá fazendo, irmã?
— Desenhando um plano. Pra quando meu tio entrar na terceira idade e a gente cuidar dele.
— Em qual idade ele já tá?
— 2.99, eu acho. Você sabe que ele tá sempre reclamando da dor nas costas.
— E do joelho que range.
— E quando ele levanta rápido e fica tonto.
— Tem também a pressão dele que vai láaaaa no alto quando o Miguel rabisca a parede.
— E, quando o Miguel colocou a Suzie na máquina de lavar, a pressão dele caiu.
— Lembra quando ele esqueceu o celular no shopping, as chaves de casa na loja de celular e você no chaveiro?
— Todo mês ele acha que é aniversário de um de nós três, ano passado tivemos sete comemorações.
— Eu acho que ele não enxerga mais de longe.
— De perto também não.
— E tudo a gente tem que falar gritando ou repetir três vezes.
— E o nariz dele para de funcionar quanto o tempo vira.
— Ele explode se comer camarão, leite, maracujá ou abacaxi.
— Ultimamente ele só tá podendo beber água, eu acho.
— Mas nem isso ele bebe, porque…
— Verdade, as pedrinhas nos rins.

As crianças ficam pensativas, refletindo sobre o fato científico de que um homem de 28 anos tem, na verdade, 82 em idade de gay.

— Ester, acho que, se continuar assim, não vamos precisar do seu plano.
— Quer me ajudar a escolher um caixão então?


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Miguel aparece com um pacote de absorvente no supermercado.

— Tio, isso aqui é sorvete de quê?
— De onde você tirou que tem sorvete aí dentro?
— Tá escrito aqui: ab-sor-ve-te.
Absorvente.
— Se não é sorvete, é o que então?
— É coisa de menina, Miguel.
— Você sempre diz que não existe isso de coisa de menino e coisa de menina.

Diego fica sem palavras por cinco segundos.

— Ok, alguns homens podem usar também, mas não é o seu caso.
— Mas serve pra que?
— Bom… Tem gente que sangra todo mês, daí elas precisam disso pra… absorver o sangue.

Miguel fica sem palavras por dez segundos.

— Tio, por que eu não ganhei um absorvente quando caí de bicicleta e me ralei todo?
— Ai, Miguel, tá bom, da próxima vez eu te dou um.

Miguel comemora a promessa até ver uma mulher colocando alguns pacotes de absorvente no carrinho de compras. Então se aproxima e pergunta:

— Ninguém te ensinou a andar de bicicleta quando era criança?

A mulher fica sem palavras por quinze segundos.


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