Diego odeia futebol, mas as crianças insistem em fazer festa para o primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo. Vuvuzelas, bandeirinhas, camisas da seleção, o chão da sala rabiscado de giz em verde e amarelo. Depois do resultado, Miguel fica decepcionado com a morosidade do jogo e decide inventar um novo esporte para o país ser campeão.
— O nome vai ser… Super Futebol Turbo Para Todos! Pode jogar homem, mulher, tudo misturado. Pode gay também. E algumas crianças. Não, muitas crianças!
— E como que joga?
— No futebol, vence quem faz mais gol, né, mas o Brasil tá meio ruim disso, então… no Super Futebol Turbo Para Todos vence quem fizer menos gols. Melhor! Vence quem erra mais o gol. Na trave, vale 5 gols. Se o goleiro pegar, vale 10. Se chutar pra fora, vale 32 gols.
— ...
— Outra coisa: Eu acho que uma bola só é pouca coisa pra tanta gente. No Super Futebol Turbo Para Todos, vão ser sete bolas. E um quadrado! E uma daquelas bolas grandonas que cabe uma pessoa dentro.
— Vai ter árbitro?
— Dentro da bolona. E, toda vez que ele apitar, o jogo para e todo mundo tem que fazer uma coreografia do Tiktok. Quem errar leva cartão amarelo. Quem levar cartão amarelo leva dois cartões vermelhos.
— E quem levar cartão vermelho?
— Leva três cartões azuis.
— Pra que servem esses cartões todos, Miguel?
— Pra nada, só pra colecionar. Alguns são brilhantes.
— E se tiver falta?
— Como assim?
— Quando um jogador empurra o outro no chão, por exemplo.
— Eu não falei que o campo inteiro é um pula-pula gigante? Se a pessoa cair no chão, ela quica de volta e fica de pé.
— Acho que alguns jogadores brasileiros gostam mais de ficar caídos…
— Por isso que tem que ter mais criança. A gente não para de correr.


