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Diego e Miguel assistem ao Jornal Nacional quando passa uma reportagem sobre um caso de racismo.

— Tio, o que é racismo?

Diego engole em seco.

— Não é assunto de criança. Quando você for maiorzinho, eu explico.
— É quando um cachorro de raça morde um vira-lata?
— Não… É meio complicado, Miguel.
— Você disse que explicar de onde vêm os bebês também era complicado. Mas o papai e a mamãe falaram que é só plantar uma sementinha, esperar crescer e pronto. Você podia ter falado que era igual brincar de fazendinha.

Diego segura o riso. Mas logo escolhe bem as palavras.

— Racismo é quando… algumas pessoas acham que são melhores do que outras por causa da… cor da pele. Mas isso é coisa de gente má e burra. Ninguém é melhor do que ninguém por ser branco, preto, amarelo ou qualquer outra cor. E nunca deixe ninguém falar mal da sua cor, do seu cabelo, do seu nariz, de nada seu, tá? Você não é pior do que ninguém por não ser branco.
— Mas eu queria ser rosa igual à Princesa Jujuba.
— …
— Ou azul que nem o pessoal de Avatar.
— Tudo bem, mas…
— Eu fico com muita pena do Gabriel por causa disso.
— Do Gabriel? O seu irmão é branco, Miguel.
— Então. Nem é uma cor de verdade. É ele que sofre racismo do pessoal das outras cores?
— Não é bem assim…
— Ele é muito bebezinho, né? Acho que ainda dá tempo de crescer e ficar marrom, verde ou laranja, pelo menos.



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Diego pesquisa na internet como adestrar gatos e descobre que é possível se o gato for colaborativo. Suzie não parece nem um pouco disposta. O truque é atrair o gato com um petisco, dar a ordem e elogiar o bichano quando ele cumprir o combinado.

— Senta, Suzie!

A gata permanece imóvel.

— É pra sentar, mulher. Você sabe como.

Suzie ignora o comando.

— Assim, ó. Viu?

Diego senta no chão em frente à gata, que permanece de pé.

— E como eu sentei, eu vou comer um petisco.

Diego se arrepende de colocar petisco com gosto de peixe morto na boca, mas finge que gostou pra dar inveja na gata.

— Ficou com vontade, né? Então senta.

Suzie sai andando sem nem olhar para trás.

— Ok, vamos tentar dar a patinha…

Depois de inúmeras tentativas, Diego desiste, pois a gata é surda ou muito burra. Suzie se dá por satisfeita após adestrar um gay. Sem perceber, Diego senta, pega um brinquedo, deita e dá a patinha quando a gata mia.

***

— Tio, sabia que hoje a professora me ensinou a letra C?
— C de cavalo?
— Não, tio, C de chocolate.
— Cavalo também começa com C, Miguel.
— Eu não aprendi cavalo ainda, então pode me dar um chocolate mesmo.
— Mas eu não ia te dar nada.
— …
— …
— Me ensina um palavrão com a letra C?


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Diego odeia futebol, mas as crianças insistem em fazer festa para o primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo. Vuvuzelas, bandeirinhas, camisas da seleção, o chão da sala rabiscado de giz em verde e amarelo. Depois do resultado, Miguel fica decepcionado com a morosidade do jogo e decide inventar um novo esporte para o país ser campeão.

— O nome vai ser… Super Futebol Turbo Para Todos! Pode jogar homem, mulher, tudo misturado. Pode gay também. E algumas crianças. Não, muitas crianças!
— E como que joga?
— No futebol, vence quem faz mais gol, né, mas o Brasil tá meio ruim disso, então… no Super Futebol Turbo Para Todos vence quem fizer menos gols. Melhor! Vence quem erra mais o gol. Na trave, vale 5 gols. Se o goleiro pegar, vale 10. Se chutar pra fora, vale 32 gols.
— ...
— Outra coisa: Eu acho que uma bola só é pouca coisa pra tanta gente. No Super Futebol Turbo Para Todos, vão ser sete bolas. E um quadrado! E uma daquelas bolas grandonas que cabe uma pessoa dentro.
— Vai ter árbitro?
— Dentro da bolona. E, toda vez que ele apitar, o jogo para e todo mundo tem que fazer uma coreografia do Tiktok. Quem errar leva cartão amarelo. Quem levar cartão amarelo leva dois cartões vermelhos.
— E quem levar cartão vermelho?
— Leva três cartões azuis.
— Pra que servem esses cartões todos, Miguel?
— Pra nada, só pra colecionar. Alguns são brilhantes.
— E se tiver falta?
— Como assim?
— Quando um jogador empurra o outro no chão, por exemplo.
— Eu não falei que o campo inteiro é um pula-pula gigante? Se a pessoa cair no chão, ela quica de volta e fica de pé.
— Acho que alguns jogadores brasileiros gostam mais de ficar caídos…
— Por isso que tem que ter mais criança. A gente não para de correr.



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