
Diego e Miguel assistem ao Jornal Nacional quando passa uma reportagem sobre um caso de racismo.
— Tio, o que é racismo?
Diego engole em seco.
— Não é assunto de criança. Quando você for maiorzinho, eu explico.
— É quando um cachorro de raça morde um vira-lata?
— Não… É meio complicado, Miguel.
— Você disse que explicar de onde vêm os bebês também era complicado. Mas o papai e a mamãe falaram que é só plantar uma sementinha, esperar crescer e pronto. Você podia ter falado que era igual brincar de fazendinha.
Diego segura o riso. Mas logo escolhe bem as palavras.
— Racismo é quando… algumas pessoas acham que são melhores do que outras por causa da… cor da pele. Mas isso é coisa de gente má e burra. Ninguém é melhor do que ninguém por ser branco, preto, amarelo ou qualquer outra cor. E nunca deixe ninguém falar mal da sua cor, do seu cabelo, do seu nariz, de nada seu, tá? Você não é pior do que ninguém por não ser branco.
— Mas eu queria ser rosa igual à Princesa Jujuba.
— …
— Ou azul que nem o pessoal de Avatar.
— Tudo bem, mas…
— Eu fico com muita pena do Gabriel por causa disso.
— Do Gabriel? O seu irmão é branco, Miguel.
— Então. Nem é uma cor de verdade. É ele que sofre racismo do pessoal das outras cores?
— Não é bem assim…
— Ele é muito bebezinho, né? Acho que ainda dá tempo de crescer e ficar marrom, verde ou laranja, pelo menos.