Leia mais Read more

Qualquer pessoa que tem o mínimo de intimidade comigo sabe o quanto eu adoro planejar. E todo mundo que me acompanha há pelo menos um mês percebeu que alguma coisa não estava funcionando nos meus planos de publicação de Gay de Família. Gente, vocês estavam certos. Eu prometi horrores. Eu dei datas, chegou no dia e flopou. Eu disse AGORA VAI e não foi. Fiquei SEMANA QUE VEM e tive que adiar. Em agosto estava tudo pronto, mas outubro veio e não rolou. FINAL DE OUTUBRO e nada. Disse que de novembro não passava, mas aí...

MAS AÍ UMA OVA, POIS TUDO DEU CERTO DESSA VEZ! 

No topo da capa está o título GAY DE FAMÍLIA bem grande. Abaixo do título estão ilustrados um homem, 3 crianças de idades diferentes e uma gata. O homem adulto está de pé e veste camisa cropped, bermuda e chinelos. Em seus ombros está o menino do meio, que veste asas de fada, tiara de princesa e segura uma espada nas mãos. A gata passeia no meio das pernas do homem. O menino mais novo veste preto e está no chão com um caderninho jogando jogo da velha sozinho. A menina mais velha veste um vestido vermelho e segura uma raquete. O menino mais novo é branco, o menino do meio tem a pele marrom escuro e a menina e o homem possuem a pele marrom claro. A gata possui manchas pretas e laranjas sobre branco. O fundo da capa é amarelo, com triângulos. Na capa há 2 blurbs onde se lê: [Você vai gargalhar - Sem Spoiler] e [De cair o c* das calças - Pedro Rhuas]. No rodapé da capa aparece o nome do autor: FELIPE FAGUNDES.

"Diego não faz questão nenhuma de manter contato com a família.

Seu irmão mais velho, porém, aparece em sua porta implorando por um favor: que Diego seja babá dos três sobrinhos por uma noite, crianças com as quais ele nunca conviveu.

De olho na grana que o irmão promete pagar e acreditando piamente no seu próprio potencial como tio, ele aceita o desafio sem imaginar que os pequenos são, no mínimo, peculiares. O menorzinho se veste de preto e tem um amigo imaginário. O do meio ama princesas e transformar a casa numa zona de guerra. A mais velha quase não fala. Ainda por cima, vieram acompanhados de uma gata hedionda que provavelmente já matou gente.

Dividido entre prestar atenção nos sobrinhos ou no novo vizinho gostoso que chegou ao seu andar, Diego terá que provar que pode dar conta do recado, sem perder o rebolado que apenas um tio gay é capaz de manter."

Isso mesmo, GAY DE FAMÍLIA está entre nós!!! De fato EM PRÉ-VENDA NA AMAZON, disponível para compra em formato digital por R$ 5,99.

GENTE, EU TÔ TÃO TÃO TÃO TÃO FELIZ, VOCÊS NÃO FAZEM IDEIA! E, se fazem, multipliquem por mil! Olhem que capa fofa. As crianças do jeito que imaginei! A gata geniosa! O tio sendo um grande gostoso! Os blurbs de GRANDES NOMES do Twitter fazendo eu me sentir um escritor aclamadíssimo pela crítica! Estou num sonho??? Pelo amor de Deus, espero que não.

Eu sei que para a maioria de vocês só agora parece que está acontecendo alguma coisa do lado de cá com o livro no mundo, mas eu sinto que já corri uma maratona inteira. Escrever um livro pode ser uma atividade extremamente solitária, mas publicá-lo, se você quiser fazer direito sem se autodestruir no processo, com certeza não é. Foi a primeira vez que levei uma história minha para tão longe da minha gaveta e no caminho fui descobrindo que não ia conseguir chegar até o final sozinho. Precisava de gente muito mais competente do que eu, gente que sabia o que estava fazendo, porque eu com certeza não sabia. Nossa, em cada etapa eu fui descobrindo uma coisa nova que eu definitivamente deixaria passar se fosse eu mesmo tentando fazer. Acho que saí do processo muito mais humilde do que entrei, entendendo como o escritor é na verdade apenas um ignorante. Eu já sabia, na verdade, pois tenho alguns amigos que trabalham no mercado editorial, mas é diferente sentir a coisa toda funcionando na prática. Livro é um esforço coletivo, e Gay de Família não foi diferente, mesmo sendo um ebook de 84 páginas. Então, esse texto é um registro de alguns lugares por onde passei para chegar até aqui, mas também uma longa lista de agradecimentos.

O TEXTO

Eu tinha acabado de sair de um processo feliz, mas exaustivo de escrever o livro mais longo que já ousei escrever em toda minha vida (será que vem aí em 2022?). Era final de 2020 e havia séculos que eu não sabia mais como era a sensação de trabalhar numa ideia nova. Sabe? Começar do zero e tal? Então procurei dentro de mim por uma história que eu pudesse contar em menos de 100 páginas (porque Deus me livre já me atracar com outro livro gigante), mas que tivesse início, meio e fim, então Gay de Família veio daí. Não foi sem dor. Apesar de muito piadista, tenho sentimentos conflitantes com sarcasmo e protagonistas irônicos demais (Ex: Dr House, Chandler de Friends, Yang de Grey's Anatomy e similares), mas para Gay de Família eu senti que um protagonista desse tipo seria o ideal. Então no começo eu fui escrevendo e rindo, rindo, rindo e lá para o meio eu já estava QUE CARA MALA, MORRE DIABO. Fiz todo um trabalho de calibrar o sarcasmo para eu mesmo conseguir seguir adiante e aprender a amar o Diego, meu protagonista, do jeitinho que ele é. Essa parte aqui já parece algo que eu consigo fazer sem a ajuda de ninguém, mas o resultado sai absurdamente melhor quando eu paro para ouvir a opinião dos meus leitores betas e amigos pessoais Taiany Araújo e Felipe Vieira. Não publico uma linha de ficção antes de passar por esses dois. Foi maravilhoso passar do ódio ao amor por esse livro com vocês dois!

O WATTPAD

Eu tive essa ideia maluca de publicar meus livros no Wattpad antes de irem para a Amazon e, bom, Gay de Família estava lá! Eu avisei e tudo. Não era segredo. Você que estava quase vindo aqui cair no soco comigo porque esse livro não saía, O LIVRO ESTAVA LÁ NO WATTPAD, HOMEM, BASTAVA LER. Numa versão beta, verdade. Sem capa, sem revisão, mas na íntegra. Só retirei porque a Amazon pede por exclusividade. De qualquer forma, muito obrigado a quem leu enquanto estava lá. O feedback também foi valioso! TODO MUNDO disse que precisava ter uma raquete na capa e aí está! Consegui incorporar no texto quase todas as melhorias que sugeriram. Quem leu no Wattpad e comprar na Amazon vai ler um capítulo extra com uma entrevista super intimista & exclusiva comigo! Além de sentir a magia da preparação de texto.

A PREPARAÇÃO

Muitos não sabem, eu mesmo não sabia até pouco tempo atrás, mas existe uma fase mágica no meio do processo que se chama Preparação de Texto. Eu mal sei explicar. Ela leva seu texto do lixo ao luxo. Seu texto que é poeira vira poesia. Eu quase não estou brincando. Eu conheço muitos profissionais que revisam e preparam textos, inclusive alguns amigos meus, mas para Gay de Família eu procurei por alguém que na minha cabeça também iria entender da história, sabe? Alguém talvez dentro do público-alvo, que saberia me apontar se a linguagem estava adequada para o tipo de história que eu estava me propondo a contar, e não apenas a revisão ortográfica/gramatical. Então, a Sofia Soter foi fenomenal. Eu revisei mil vezes com meus betas, deixando o texto do melhor jeito possível dentro das minhas condições, mas, ainda assim, a Sofia encontrou formas de deixar as frases belíssimas. Inverteu a ordem das palavras, cortou parágrafos inúteis, sugeriu palavras mais adequadas, pontuou inconsistências... Tudo na base da sugestão mesmo, não fui obrigado a aceitar nenhuma das alterações. Ela foi até além do esperado e apontou gentilmente trechos problemáticos que me fizeram refletir e cortar da versão final. Enfim, sem a preparação, "Gay de Família" muito mal seria apenas um "G". Se você é um escritor e pode contratar esse serviço, contrate. É a melhor coisa que você faz pelo seu texto. A Sofia inclusive faz preço especial para autores independentes e eu recomendo demais o trabalho dela!

A CAPA

Tweet de @felipe_fgnds: "Gente, tô dando a ALMA pra capa de Gay de Família ficar legal então quando sair é obrigação de todo mundo gostar, ok? Ah, mas achei feia. FINJA."

Eu odeio capas. Minto. Eu adoro capas. O que eu odeio é ser a pessoa responsável por trás de todas as decisões que trarão uma capa de livro à existência. Eu sou péssimo nisso. Deveriam me tirar da sala, decidir sem mim e só me chamar no final pra dizer sim ou não. Fontes, cores, estilos, paletas, pelo amor de DEUS, o que é um círculo cromático? Eu quase morri quando me explicaram o que é uma SERIFA. Lindíssima minha capa jamais me contradigam, mas o processo inteiro foi HORRÍVEL.

Tweet de @felipe_fgnds: "Quero todo mundo falando NOSSA, QUE CAPA INCRÍVEL e podem até exagerar É A CAPA MAIS MARAVILHOSA QUE JÁ VI NA VIDA e eu vou ficar "calma, gente, não é pra tanto também", mas vocês não vão me ouvir pois estarão ocupados elogiando a capa belíssima do meu livro"

Em agosto, sei lá, estava tudo pronto, a pessoa que ilustrou foi perfeita e fez exatamente o que eu pedi, mas na hora de divulgar em outubro... recebi o feedback do Sem Spoiler de que a capa "não estava traduzindo muito bem a história". E, gente, não estava mesmo kkkkkk. DEIXANDO AINDA MAIS EVIDENTE AQUI que de fato não foi por causa de quem ilustrou, mas::: por minha causa. O erro foi todo meu e eu meio que já sabia, mas insisti em algo nada a ver. Então NA HORA DE DIVULGAR tive a confirmação que eu temia de que, se eu publicasse, a capa provavelmente seria criticada e muita gente poderia deixar de ler achando que a história era uma coisa, mas é outra. Doutor, esse foi o motivo do meu colapso etc.


Isso acabou com TODOS os meus planos e cronogramas e datas e noites de sono, porque eu tive que correr atrás de outro conceito de capa, outra pessoa para ilustrar mais dinheiro para gastar e tudo isso muito rápido para conseguir publicar ainda em novembro. Foi simplesmente por isso que eu tive que adiar tudo mil vezes.

Eu quase chorei quando encontrei a Laura Guedes no fundo das profundezas do inferno (uma lista com mais de 200 perfis de ilustradores no Twitter. Olhei os 200, juro por Deus).

Trabalhar com a Laura foi um grande alívio, não só porque eu estava em terrível agonia, mas porque ela é tão talentosa que tirou essa capa que vocês estão vendo disso aqui:


Recomendo demais o trabalho da Laura! Mas ai de vocês se um dia eu entrar em contato com ela, e ela falar que tá ocupada trabalhando em livro dos outros, vou ligar pra polícia e mandar prender vocês, pois isso é roubo.

DIAGRAMAÇÃO

A Karen Alvares... CONTRATEM A KAREN ALVARES. Ela é a pessoa que vocês vão querer no time do livro de vocês. Ou isso ou vão terminar com um ebook todo feio e torto, como já vi muitos. Porque é isso que a diagramação de ebook faz: deixa o texto com cara de livro de verdade, com cara de profissional, sem a Amazon encrencar. Capa, folha de rosto, ficha técnica, sumário, inícios de capítulos, imagens, ilustrações, dados do autor, algumas formatações e outras coisas mais. Isso tudo é muito importante, porque impacta diretamente na experiência do leitor, mesmo parecendo coisa pequena. NÃO É. A Karen foi um ANJO nessa diagramação porque por causa desse caos da capa a gente precisou alterar o arquivo final algumas vezes até chegar na versão que vocês vão receber no dia do lançamento. Eu já conferi e está TODO LINDINHO. Quando vocês verem uma setinha com rabinho enrolado separando cenas no meio do texto, saibam que foi ideia da Karen e eu amei.

BLURBS

Para quem não sabe, blurbs são essas frases que vêm nas capas e/ou sinopses dos livros com pessoas famosas recomendando o livro em questão. Juro para vocês, NEM EM MIL ANOS eu iria imaginar que minha primeira história publicada na Amazon viria com blurbs do Sem Spoiler – o perfil literário mais influente do Twitter inteiro – e do Pedro Rhuas – autor best-seller da VEJA que está bombando horrores com seu livro Enquanto eu não te encontro. Eu mal sei como isso aconteceu! Vendi meu livro de um jeito que chamou a atenção do Sem Spoiler, o texto convenceu e o resto foi consequência. Eu sei que eu também tive sorte. O Sem Spoiler não divulga livros de poesia, por exemplo, então se você escreve para esse gênero, provavelmente nunca vai conseguir um blurb deles. Não teria chegado no Pedro Rhuas também se Gay de Família fosse muito diferente do que ele escreve e costuma ler. Fica aqui a dica de que é muito importante conhecer os influenciadores com os quais você quer trabalhar, às vezes as propostas simplesmente não combinam.  Só tenho a agradecer ao Alfredo Neto do Sem Spoiler, que abriu várias portas para esse tio e seus sobrinhos, e ao Pedro Rhuas, que literalmente ESTAMPOU UM CU NA CAPA DO MEU LIVRO. Muito obrigado!

Outra obra ficcional que também tem um cu na capa


POR HOJE É SÓ

Viram? Livro é coletivo. Não foi só eu, tem muita gente por trás. Quem puder eu peço que compre! 5,99, gente! Tem comédia, tem drama, tem fofura, tem susto, está tudo de bom. O número de vendas que eu conseguir acumular durante a pré-venda é muito importante pra entrar no meu "currículo de escritor" para depois eu chegar nas agências literárias e editoras e poder falar "Ei! Olha aqui, eu vendi 1 milhão de cópias em 2 semanas". 1 milhão é exagero meu, mas será que eu consigo vender 100 cópias? 200? Realmente não tenho ideia do alcance que essa história vai ter com o que planejei para ela, mas vamos descobrir! Volto aqui e conto para vocês.

COMPREM GAY DE FAMÍLIA! Divulguem nas redes sociais! Contem pra 1 amigo! Chega pra vocês dia 22/11!

Você tá feliz? EU TÔ EXPLODINDO DE ALEGRIA.


Os Dioguinhos é minha nova newsletter! Terça sim, terça não, envio para a sua caixa de entrada um microconto inédito no universo de Gay de família com cenas constrangedoras, laçração de criança e muita fofura. Quer passar a receber? Assine Os Dioguinhos.


Ler Comentários

Agora é para valer!

Depois de muitas datas anunciadas, desmarcadas, canceladas e adiadas, DESSA VEZ parece que vai acontecer o início da pré-venda de GAY DE FAMÍLIA, minha primeira história a ser publicada na Amazon em formato digital!

O ebook está pronto, a capa ficou perfeita, quem tinha que subir no barco já subiu, agora só nos falta zarpar!

Então, é isso. Segunda-feira, dia 08/11, Gay de Família estará disponível para compra! Fique de olho aqui no site, nas minhas redes sociais e/ou na minha newsletter para mais detalhes assim que o livro for publicado.


Os Dioguinhos é minha nova newsletter! Terça sim, terça não, envio para a sua caixa de entrada um microconto inédito no universo de Gay de família com cenas constrangedoras, laçração de criança e muita fofura. Quer passar a receber? Assine Os Dioguinhos.


Ler Comentários

Digamos que eu seja marido de um gamer. Muito se fala da namorada do gamer, aquele estereótipo machista pra caramba da mulher insuportável que fica enchendo a paciência do cara de 30 anos que quer apenas passar a tarde inteira jogando FIFA 2021 ao invés de lavar a louça e cuidar do próprio filho recém-nascido, mas, tipo, eu nem tenho filhos. Nem de longe me representa. Não é disso que estou falando quando evoco as palavras marido de gamer.

Não tenho nada contra videogames, até já tive alguns consoles populares quando criança, mas, não sei, não são muito minha praia? Acho o conceito divertido, mas, se eu tivesse que montar um ranking com as minhas atividades favoritas, nas primeiras posições estariam ler, escrever, conversar, lá pelo meio ia ter cantar, ouvir música, transar, e mais pro finalzinho, dependendo do jogo, ia ter o videogame. Acontece que eu sou lerdo também, e qualquer coisa que exija uma resposta rápida já me apavora. OLHA O MONSTRO AÍ. Pronto, game over, me matou. Acabam comigo esses joguinhos de usar magia, matar bicho, coisas desmoronando, gente dando tiro, lutar com demônios gigantescos, Deus me livre. Meu tipo de jogo perfeito é aquele que tudo bem se eu demorar 5 horas para decidir meu próximo movimento. Ou seja, um joguinho de damas com a minha melhor amiga no asilo é o ideal.

Quando eu conheci o Arthur, havia eras que eu não interagia com um videogame. Nem tinha televisão na minha casa, pelo amor de Deus. Ver ele ali jogando todo dia, da mesma forma que eu leio todo dia, despertou algo diferente em mim: descobri minha verdadeira vocação no mundo dos games.

Não sou a namorada chata que tem que limpar bunda suja de bebê todo dia sozinha. Eu sou o copiloto do gamer.

Nossa, gente, é um trabalho extremamente necessário e eu todos os dias estou ali nos bastidores ajudando meu marido a alcançar o melhor desempenho possível. Posso ser um péssimo jogador, mas, modéstia à parte, sou ótimo em ficar apenas observando e comentando como se fosse um filme. Se eu fosse entrar no mercado profissional de maridos de gamers, o meu currículo seria mais ou menos assim:

  • 3 anos de experiência com foco em RPG e narrativas LGBT+. 
  • Excelente em puzzles. 
  • Análise precisa de todo o contexto emocional dos personagens envolvidos para tomadas de decisão. 
  • 92% de sucesso em desvendar o fio narrativo.
  • Curadoria de games (veto jogo chato e esteticamente desagradável).
  • Identificação imediata do personagem gay da trama, mesmo que o jogo nunca confirme.
  • Comentários engraçados ao longo de toda jornada, extremamente relevantes para levantar a moral do piloto.

Tweet de @felipe_fgnds: "Obriguei Arthur a mudar o cabelo do personagem porque tava feio e o jogo precisa ser esteticamente agradável pra eu acompanhar. Exijam seus direitos de cônjuge de gamer, meninas"

É uma carreira, sabe? Não é só sentar lá do lado com cara de cu e torcer pra jogatina acabar logo, é de fato participar. Eu adoro identificar os pontos fracos do Arthur como jogador e tentar preencher esse espaço com minhas habilidades. Por exemplo, ele odeia ler diálogos muito longos, documentos, manuais etc. Mas às vezes as respostas pra passar de fase simplesmente estão ali. Então eu faço uma leitura dinâmica e capto a informação.

 Pra onde será que tem que ir?
 Pro porão da fulana.
 Como você sabe???
 Ela disse.
 Quando???
 Ela literalmente acabou de dizer.

Também é importante exercer o que eu chamo de cyber sensibilidade, que é quando a gente percebe que o jogo não diz com todas as letras que ALGO vai acontecer, mas as pistas estão lá: na fotografia, na trilha sonora, nas viradas dos diálogos... Nunca vou esquecer o jogo de zumbi que Arthur estava jogando e eu disse "Calma, tem cara de ter um monstro nessa parte aí" e realmente tinha. Aí, depois de matar, ele foi andando todo serelepe, e eu:

 CALMA, deve ter um segundo monstro.
 Mas eu acabei de matar um, não faz sentido ter outro.
– Exatamente por isso eu colocaria um segundo monstro se eu fosse o dono desse jogo, porque o jogador que já matou um monstro acharia que seria demais ter mais um monstro aí.
 ...?
 Eu estou SENTINDO um segundo monstro.

E TINHA UM SEGUNDO MONSTRO!!! Enfim, cyber sensibilidade. Basta desenvolver.

No fim das contas, também é uma experiência muito gratificante pra mim. Eu sei, se você me acompanha há muito tempo provavelmente faz parte do Mundinho Leitores BR e acha que livros são o suprassumo do prazer humano alguns são mesmo GAY DE FAMÍLIA EM NOVEMBRO NA AMAZON. Talvez eu te mate agora: videogames também podem contar histórias maravilhosas! Realmente é isso, gente, às vezes Arthur está ocupado ou simplesmente não tá muito a fim de jogar naquele momento e eu fico PELO AMOR DE DEUS, CONTINUE A HISTÓRIA. Ou então eu sou o ocupado da vez e vejo ele pegar o controle e grito NÃO OUSE JOGAR SEM MIM. É mesmo como ler um livro, ver um filme, uma série, e às vezes há vários finais que vão depender das decisões que a gente toma no decorrer do jogo, coisa que livro nenhum nos proporciona, convenhamos. Não estou dizendo que é melhor, apenas que é uma mídia... diferente. E, se assim como eu você não tem interesse em jogar, talvez tenha interesse em assistir. Juro pra vocês, tô aprendendo muito sobre escrever livros assistindo meu marido jogar. Tem plots dentro de alguns jogos que acompanhei que fiquei UAU, ISSO DARIA UM LIVRO INCRÍVEL. Dependendo do jogo, tem muito drama, comédia (amo!), romance e cada vez mais gays, o que é sempre uma boa pedida.

Tweet de @felipe_fgnds: "Intrigado com a escolha estética de The Witcher 3 (só tem homem feio)"

Acho que meu conselho para quem juntou os trapinhos com um gamer e não é lá muito fã desse tipo de entretenimento é: se não pode vencê-lo, talvez tente se juntar a ele? Se pá, você até gosta. 

Mas isso não isenta seu macho de lavar uma louça nem trocar fralda não. Se valorize, mulher.

PS: A imagem no começo desse texto foi criada e cedida por StockGiu.


Os Dioguinhos é minha nova newsletter! Terça sim, terça não, envio para a sua caixa de entrada um microconto inédito no universo de Gay de família com cenas constrangedoras, laçração de criança e muita fofura. Quer passar a receber? Assine Os Dioguinhos.


Ler Comentários